Sábado, Janeiro 28, 2012
Dentro de uma composição as pausas são tão importantes quanto os sons. Uma boa orquestra é aquela que executa bem as dinâmicas das pausas e das continuidades. Mesmo no silêncio da pausa a canção continua.
Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo, que uma palavra errada. O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade recomendava aos poetas:
"Convive com os teus poemas antes de escrevê-los. Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam. Espera que cada um se realize e consuma com seu poder de palavra e seu poder de silêncio."
A recomendação do poeta é sábia e pertinente. Um poema só é bem, só é bom, se maturado na sementeira do silêncio. Antes de se tornar palavra, a poesia é experiência de vida silenciosa. Os artistas sabem disso, e nós precisamos aprender.
Demora naquilo que você precisa dizer. Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra dita, do que de um silêncio. Palavra errada na hora errada pode se transformar em ferida naquele que ouviu, também naquele que disse.
Há muitos momentos da vida em que o silêncio é a resposta mais sábia que nós podemos dar a alguém. Na pressa de falar, corremos o risco de dizer o que não queremos, e diante de tudo que foi dito, nem sempre temos a possibilidade de consertar o erro.
Palavras erradas costumam machucar para resto da vida, já o silêncio certo, esses possuem o dom de consertar. Por isso, prepara bem a palavra que será dita. Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Os sábios sempre preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria.
Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer. Calma para ouvir.
Uma regra interessante para que tenhamos uma boa compreensão de um texto, é justamente a calma. Só assim podemos adentrar nos significados que o autor quis sugerir e conseqüentemente mergulhar no mistério do seu texto. Leituras apressadas podem fomentar equívocos, e equívoco é uma espécie de desentendimento entre o que escreve e aquele que lê. É uma forma de obstáculo para a compreensão da linguagem.
Na comunicação verbal cotidiana, isso sempre acontece. Dizemos, e não somos compreendidos. Diante do impasse duas realidades são possíveis: ou alguém disse com pressa, ou alguém escutou sem atenção. Dizer e ouvir requerem silêncio.
Só diz bem, aquele que pensou antes no que iria dizer, e ouve melhor aquele que se calou para escutar. A regra é simples, mas exigente.
Por isso hoje, nesse tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos.
Padre Fábio de Melo
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Quarta-feira, Janeiro 25, 2012
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Quarta-feira, Janeiro 18, 2012
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Uns não olham mais nos olhos, uns não sentam mais à mesa, uns não se deixam mais amar, se abraçar...
Sabe Senhor, tem dias lá em casa que é difícil não chorar....
E a saudade de quem partiu nos faz lembrar que não há tempo para o ódio, não há tempo para o rancor...
Que é preciso amar mesmo quem não quer o amor....
Pode faltar o que comer, pode faltar o que faltar, mas não faltará o meu desejo de amar....
Podemos estar juntos, podemos não estar, mas o Seu amor sempre nos unirá....
Deus, os meus são Teus, Deus, os meus são Teus, eu consagro a minha casa ao Teu coração...
Música "Deus, os meus são Teus!".
Participação: Padre Fábio de Melo e Caio Mesquita (sax).
CD "Canções que curam e libertam - O melhor de Padre Márlon & Missão Sede Santos".
Intérpretes: Vilma Alvarenga, Isaac Praça e Joe Alvarenga.
Produção musical: André Marthins.
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Terça-feira, Janeiro 17, 2012
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Segunda-feira, Janeiro 16, 2012
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Sexta-feira, Janeiro 13, 2012
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Quinta-feira, Janeiro 12, 2012
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Segunda-feira, Janeiro 09, 2012
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Domingo, Janeiro 08, 2012
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Sábado, Janeiro 07, 2012
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Quarta-feira, Janeiro 04, 2012
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Segunda-feira, Janeiro 02, 2012
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Sábado, Dezembro 31, 2011
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Sexta-feira, Dezembro 30, 2011
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Quarta-feira, Dezembro 28, 2011
Era um corpo de dor, de menstruadas esperanças, de saudades e partos. Corpo de mãe, corpo de cumprir ofício de curar joelhos esfolados, de dar banhos que tinham o poder de lavar corpos e almas num mesmo acontecimento.
Corpo de amamentar filhos que crescem.
Aquela mulher e aquelas manhãs de dezembro. As recordações de seu tempo de menina, pobreza reconhecida, trazida na cara e denunciada pela moldura de olhos que não sabiam mentir.
O plantio programado, compromisso que nem mesmo a dor acontecida nas recentes horas poderia adiar, tinha ares de ritual religioso. A sementeira ao lado, moldada numa caixa de papelão resistente, sobre o canteiro que nasceu de suas mãos pequenas, esperava pela oportunidade de cumprir no tempo o destino de dar continuidade à obra da criação.
Morrer e viver são atos que se conjugam sem pressa.
A mulher sabia de tudo isso. As mudas miúdas também. Dotadas de sabedoria vegetal, cresciam ao seu tempo com a mesma simplicidade que é própria de quem não procura outro destino senão o seu.
Aquela mulher sabia mais. As mudas não mudam.
São sempre as mesmas desde o tempo de sua mãe. Ofício aprendido que se estende no tempo, feito consumação de uma despedida que se cumpre aos poucos, bem aos poucos.
Mudas de alface estão carregadas de sentido. Nelas, prepara-se o futuro que afugenta a fome, traz variações ao modo de carecer.
Recordo-me com saudade. O tempo era de chuvas. Jabuticabeiras explodiam.
Pequenos frutos pendurados em seu corpo de árvore-mãe, tal qual a minha mãe e seus meninos pendurados na cintura, entrelaçados nas pernas e puxando seus braços.
Dezembro tinha cores e histórias diferentes. Vitrines iluminadas, cartões de ocasião sendo preparados pela minha irmã, para que mesmo com simplicidade pudéssemos desejar votos de felicidades.
Presépio sendo retirado da caixa, árvores coloridas de bolas vermelhas, anunciando que nossa pobreza seria ainda mais exposta. Mas não havia problema. Nossa árvore, mesmo tão pobre, já era nossa alegria. As jabuticabeiras nos curavam de tudo...
Minha mãe e sua capacidade de replantar o mundo a partir de mudas de alface era o símbolo mais vivo de nosso Natal. Com seu jeito simples e hábitos rotineiros, ela condensava todas as virtudes que o acontecimento nos sugeria.
“O menino Jesus é quem merece presente neste dia!”, ensinava-nos como se quisesse modificar a ordem do mundo.
E assim acreditávamos.
Nossos presentes eram poucos. Quase nenhum. Só mesmo para não passar em branco, mas o mais importante nós não deixávamos de receber. O sorriso farto, a oração em família, a missa do galo e o nosso Natal já estava completo.
Aquela mulher nos fazia esquecer o que não tínhamos. Transplantava-nos, como fazia com as mudas de alface.
Deixávamos o chão estreito da sementeira e caíamos com nossas raízes nos canteiros fartos da simplicidade que ela sabia construir.
E assim era o nosso Natal.
Um acontecimento para nunca mais esquecer.
Padre Fábio de Melo
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Domingo, Dezembro 25, 2011
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Quinta-feira, Dezembro 22, 2011
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Onde o ventre da memória continua a me levar...
Beiradas onde corre o velho rio, são nascentes de caminhos que ainda estou a procurar...
Lá onde a saudade ergueu morada e abriga o que de mim não passará...
Eu sou do interior, sou brasileiro...
Das Gerais eu sou herdeiro, vez enquando eu falo uai...
E sob o céu tão pontilhado de estrelas, brotam cores madrugueiras enfeitando meu lugar...
O sino toca e o povo vai abrindo a porta, chora o som de uma viola pra alegria regressar...
E canta a voz que já nasceu sofrida e reza a voz que nunca desistiu...
Bordam suas linhas as mulheres, que nos filhos já escrevem neste interior tem Deus...
No meu interior tem Deus, tem Deus, tem Deus...
Eu sou um território sem fronteira, coração não tem porteira, mas quem manda aqui é Deus!
No meu interior tem Deus, tem Deus, tem Deus...
Eu sou um território sem fronteira, coração não tem porteira, mas quem manda aqui é Deus!
No meu interior tem Deus...
No meu interior tem Deus...
No meu interior tem Deus...
No meu interior tem Deus...
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Terça-feira, Dezembro 20, 2011
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Segunda-feira, Dezembro 19, 2011
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Sábado, Dezembro 17, 2011
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Quinta-feira, Dezembro 15, 2011
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